sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Folha: Entrevista de Alexandre Carlos

O matemático Alexandre Carlos reside em Fernandópolis desde 1987, onde mantém um escritório para cuidar de seus negócios. É especializado em curiosidades matemáticas, mas as previsões para as loterias são o que estão lhe rendendo fama. Ele já participou do Programa Livre, com a Babi; do SBT-Repórter, com Marília Gabriela e do Super Pop, com Luciana Gimenez. Neste último, inclusive, Alexandre antecipou os números da Mega-Sena e acertou cinco. O assunto loterias é discutido hoje também na coluna Frente a Frente.
Folha - Você é um matemático de loterias? Jornal Folha de Fernandópolis
Alexandre - Isso hoje é muito difundido nos Estados Unidos, essa profissão, mas no Brasil não é conhecido. Apesar que a minha especialidade não é especificamente loterias. Eu estudo curiosidades matemáticas, no geral. A loteria é bastante interessante porque 70% das pessoas – revelou uma pesquisa – necessitam, querem ou precisam de dinheiro e sonham ganhar na loteria. Então a gente começou, devido à procura, a estudar a dezena que sai mais, como a pessoa pode combinar as dezenas de uma maneira mais fácil, para aumentar a chance.
Folha - E isso tudo as pessoas podem encontrar nas suas revistas? Alexandre - Nós temos um site na internet e divulgamos isto gratuitamente (www.loteriafacil.com.br). A pessoa quando entra no site obtém informações, dicas que aumentam a chance e podem fazer ela ganhar. E nós não cobramos nada por isso. As revistas que nós temos que é a Lotofácil, Lotomania, Mega-Sena e Quina. Elas vêm com complemento para aquelas pessoas que queiram um pouco mais de informação ou que gostam de ler. Essas revistas já estão disponíveis na na Internet - www.megafacil.com.br.
Folha – É verdade que nestas revistas as pessoas podem encontrar um jogo pronto, feito com a sua orientação? Alexandre - A cada semana corre um prêmio e como os prêmios são consecutivos, é possível você, num determinado momento, saber qual dezena que está mais atrasada. A dezena 33 está mais atrasada. Como todas as dezenas tem a mesma chance de serem sorteadas, a dezena 33 não sendo sorteada, ela tem mais probabilidade. Você sabendo que uma dezena está atrasada, já é uma informação importante. Apesar que loteria não tem lógica. Cada sorteio é um sorteio. Tudo que ocorreu no passado não influencia na loteria no futuro. É uma probabilidade.
Folha - É verdade que algumas pessoas foram contempladas com os seus jogos? Alexandre - Não só ganhamos várias vezes como também fizemos ganhadores em todos os Estados. Nós fizemos um ganhador da Quina no Piauí; ele ganhou R$139.438,34; Lotomania, 2 milhões, no Rio de Janeiro; Mega-Sena, R$9.290,34, no Rio Grande do Sul; Lotafácil, 4 mil reais, em São Paulo; Lotofácil, 82.042,00, em São Paulo; R$9.293,00 em Fernandópolis. Eu recebi um e-mail hoje da Paraíba, onde o ganhador recebeu 32 mil reais. Inclusive ele forneceu telefone de contato que você pode ligar e confirmar. Fiquei sabendo também esta semana que em outubro de 2004 uma fernandopolense ganhou na Lotofácil R$1.427,00, acertando 14 pontos. É a segunda vez que essa pessoa ganha.
Folha - Você já ganhou na loteria? Alexandre - Na Lotofácil eu já ganhei 3.750 vezes, através de um bolão. Esse bolão, inclusive, nós vamos começar distribuir em nossas revistas, gratuitamente. Tem semana que tem 280, 300, 400 cartelas premiadas. O nosso objetivo é fazer ganhadores, inclusive aqui em Fernandópolis, para poder ajudar as pessoas daqui da cidade.
Folha - Qual é o jogo mais fácil, aquele que a pessoa tem mais chance de ganhar? Alexandre - A loteria mais fácil para você apostar e ganhar, matematicamente, é a Quina, porque você tem uma chance em 1 milhão, cento e quarenta e quatro mil, setecentos de sessenta e duas possibilidades. A Lotofácil é 3 vezes mais difícil do que a Quina. A Dupla-Sena é 7 vezes mais difícil. A Lotomania é 10. E a Mega- Sena é 44 vezes mais difícil do que a Quina. É claro que loteria fácil é aquela que você ganha. A sorte é colocada no seu colo. Quem decide sobre ela é Deus. De repente você escolhe seis números e ganha. Acontece que isso é muito difícil de ocorrer na realidade. Semanalmente são feitas, na Mega- Sena, 8 milhões de apostas, e a cada quatro sorteios sai um ganhador. Ou seja, são necessários 32 milhões de apostas para 1 ganhar. Então, você depender apenas da sorte não é um bom negócio.
Folha - Quais são os números que mais saem nos sorteios? Alexandre - Existe um grupo de 15 dezenas que aparecem em 98% dos resultados. Significa que de cada 100 ganhadores das loterias, 98 apostaram usando estas dezenas, porque elas se repetem muito. Nós fizemos analises estatísticas e descobrimos que existe um grupo de dezenas que é chave. Nós chamamos de “as quinze dezenas de ouro da Mega-Sena”. São elas: 05, 07, 13, 14, 16, 25, 28, 29, 37, 38, 43, 44, 53, 54, 60. Quando você faz uma aposta na loteria e escolhe seis números e dentro desses 6 números você não escolhe um, dois ou três desses aqui, você só tem 2% de chance de ganhar.
Folha – Jogar na loteria vicia? Alexandre - Um monte de atividade vicia. Pesquisas recentes mostram que em amostragem de apostadores de cassino, a média é de 3% e que a amostragem em populações que não se envolviam com jogos é a mesma. Em média, de cada 100 pessoas que, de alguma forma se divertem com jogos, 97 conseguem voltar para casa sem nenhum problema. Em São Paulo você tem um número muito grande de pessoas idosas e que hoje não têm uma atividade, e elas procuram uma diversão. Infelizmente no Brasil nós não temos opções. Nos Estados Unidos um aposentado ganha R$1.200,00 e lá ainda existe quadra de tênis, clubes, onde as pessoas podem praticar natação, jogar pingue-pongue. Então, aqui as pessoas procuram atividades como bingo, mas não porque elas querem. Existe uma necessidade de diversão. Jogo vicia, mas o dano que ele causa para a sociedade é menor do que o benefício, porque apenas 3% das pessoas que se envolvem com jogo ficam dependentes. E se essas pessoas não viciarem em jogo, elas vão viciar em cigarro, em bebida, em comida, em sexo. Porque o problema não é o jogo, e sim o distúrbio que a pessoa tem.
Folha - Você dá dicas para ganhadores de grandes prêmios? Alexandre - Nós temos consultores, especialistas em investimentos que dão dicas aos apostadores para que, quando ganharem prêmios, consigam manter uma vida equilibrada, sem ostentação. Às vezes, quem ganha são pessoas humildes, que passam a vida inteira com necessidade, às vezes até com falta de alimentação, e quando ganham acham que o dinheiro não vai acabar nunca. Ou então ele se torna o “rei da cocada preta”. Tem pessoas, por exemplo, que compram um avião. E qual é a manutenção de um avião? Eles não conhecem esse problema. Tem pessoas que ganham na loteria, compram um automóvel e dão de prêmio para o cunhado. Todo mundo tem um cunhado desempregado (risos...) e quer ajudar o cunhado, e dá um carro, um Vectra do ano para ele, o IPVA é R$1.500,00. Um ano depois, o coitado do cunhado desempregado com um Vectra não tem dinheiro para pagar o IPVA e vende o carro por qualquer preço. Então, as pessoas acabam fazendo uma infinidade de besteiras. Eu conheço ganhadores que ganharam milhões na loteria e hoje não têm sequer uma casa para morar. As pessoas precisam saber que é necessário ter equilíbrio.Aliás, os japoneses têm esse equilíbrio, são ligados a um tipo de vida simples. A palavra correta é economia. Mesmo que você ganhe 10 milhões de reais, você precisa fazer economia. Os espertalhões aparecem oferecendo coisas. Uma casa que, às vezes, vale 50 mil reais, eles oferecem por 90 mil. E a pessoa tem dinheiro e acaba achando que pode comprar. E realmente pode, mas ela vai gastando e um dia o dinheiro acaba. Eu vou dar um exemplo: uma pessoa ganhou 300 mil reais na Tele-Sena. Ela foi até o Morumbi e comprou um apartamento por 150 mil reais; ela comprou uma BMW, 80 mil reais. Agora você, com um apartamento no Morumbi e com uma BMW, vai querer ir ao Shopping, um apartamento no Morumbi, você vai querer mobiliar. Então, 300 mil reais é uma quantia que não dá para você manter esse padrão de vida. O que eu faria ou o que o nosso site indicaria para a pessoa que ganha, vamos supor, 300 mil reais? Que compre 10 casas de 30 mil reais e alugue. Aí você passa a usar um dinheiro que é mais benéfico para você. É uma renda. E você pode ficar fazendo compra pelo resto da vida porque é aluguel. E as pessoas não fazem isso, elas começam a usar o dinheiro que elas ganharam. E uma hora o dinheiro acaba. Nós damos dicas de como a pessoa pode fazer para prosperar com o dinheiro que ganhou.
Folha - Como o Brasil está colocado no ranking de apostas de loteria? Alexandre - O Brasil, no ranking mundial em apostas de loteria, é o penúltimo. O Brasil está na frente do Zimbabwe, na África, que inclusive está em guerra civil O país que mais aposta no mundo é a Austrália: 600 dólares, por pessoa, por ano. No Brasil se aposta 50 centavos de dólar, por pessoa, por ano. O mais lamentável disso é que a cada 1 real que você aposta na loteria, 48 centavos são destinados a obras assistenciais do governo. Quem não contribui com assistências sociais, com cestas básicas, está indiretamente auxiliando uma série de entidades que a Caixa Econômica Federal destina a verba, que é uma empresa séria que há muitos anos administra as loterias aqui no Brasil.
“Apenas 3% das pessoas que se envolvem com jogo ficam dependentes”

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